domingo, 10 de outubro de 2010

Poema de sete faces X Com licença poética

Um pouco de poesia, para a semana começar bem!

De Drummond
Poema de sete faces: "Poema de sete faces


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

De Alguma poesia (1930)"

De Adélia Prado




Com licença poética




Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Symbiosis


Sua presença tem raízes no meu coração
mas suas raizes, ao contrario do esperado
não o machucam, protegem, envolvem

Suas raizes envolvem-se em meu coração
Alimentam-se dele
Mas de suas raízes saem folhas
De suas folhas surgem sombras
Protegem o coração
Das intempéries, dos outros, dando conforto


Ela é minha Bios, minha Bia
Eu sou seu Sym
Juntos somos um órgão vivo que vive um do outro
Um para o outro.


Quando nos fundirmos completamente
Te darei outra vida
Nos tornaremos um sistema
Essa vida gozará de duas sombras
Seremos um só Bios.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Você, para Bia

Tão intenso como o Sol em janeiro,
Que aflige do alto aqueles abaixo,
Intenso como só a natureza sabe fazer.

O toque e o cheiro são deliciosamente gentis,
Como o alvorecer no campo de girassóis,
Gentil como só a natureza sabe ser.

Dia seguinte, contudo,
retorno ao normal,
Como a calmaria depois da tempestade,
Calmo como só a natureza sabe ser.

Ao passar um pelo outro um silêncio que tanto diz,
Como a brisa que refresca sem incomodar,
Discreto como só a natureza sabe agir.

Além do silêncio os cheiros se digladiam,
Como fazem os tubarões, previamente ao ato,
Sensuais, como só a natureza sabe ser.

Admirar você,
desejar você,
pensar em você,
é natural,

Como só os homens sabem fazer.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Aniversário da Só

Hoje é aniversário da minha irmã mais velha! Ela cuidou de mim durante muito tempo, na verdade sempre que minha mãe me chicoteava com arame farpado, lá estava ela para jogar sal! Uma família muito carinhosa que resultou nessa pessoa fantástica que lhes escreve.
Não vou falar da idade dela porque, o chato dessas coisas, é que ela é sempre um tanto mais velha (X), sendo que X é constante, para sempre.

Deixo vocês com a foto mais recente dela. Deixo para ela um beijo bem carinhoSó!


domingo, 8 de março de 2009

Bolo com sorvete

Quem me conhece sabe, adoro uma sobremesa que não seja muito doce. Adoro a mistura de sabor, a mistura das temperaturas e dos aromas. Qual sobremesa poderia ser melhor nisso do que o Bolo com Sorvete? Quando o bolo ainda está quente e bola de sorvete toca nele os dois se derretem como dois amantes apaixonados, deixando quem come com a sensação de tesão satisfeito!

Eu me lembro que uma das primeiras vezes que comi esta sobremesa foi na casa do Tio Gerson. Lembro-me, ainda, que experimentei esta delícia várias vezes na casa dele. Íamos para o café e eu comia o bolo com sorvete.

Hoje, por coincidência ou não, comprei uma mistura para bolo de milho. Tirando ele ainda quente do forno, coloquei uma bela bola de sorvete de creme. Na primeira garfada lembrei do tio. Lembranças vieram boas e com gosto de sobremesa.

Comi um pedaço para ele. Estava uma delícia...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Alguém me disse...

Eu gosto de ônibus. Aliás, morar na zona sul tem como facilidade o fato de que os ônibus daqui são vazios, limpos e novos. Ultimamente, contudo, tenho andado de carro. Tem sido mais fácil e rápido pegar o carro e ir até a faculdade, assim como ao sair mais tarde pegá-lo e voltar para casa. Próximo a faculdade existem dois lugares em que costumo deixar o carro. Deixo na rua ou, quando não há vagas, deixo em um estacionamento. Ontem não sei o que me deu, resolvi ir de ônibus.

E, também ontem, choveu horrores em Belo Horizonte. Ventos de até 70km/h atingiram a capital, seguidos de muita chuva, que inundou a região hospitalar. Cerca de 100.000 pessoas ficaram sem luz, devido a queda de árvores.

Lembra dos locais onde costumo deixar o carro? Um deles é este, logo onde está o Fiat Uno:


O outro é este, ali embaixo:

Hoje eu vou de carro, mas algo me diz que não vou encontrar vagas...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Folhas secas


Já eram vinte e duas horas. Pegou o casaco de linho. Haviam comprado juntos. Olhava para o casaco e tentava recordar os sentimentos que uma vez existiram. Olhava para o casaco e se perdia em um vazio existencial e raso. Colocou o casaco e sabia que frio não mais seria um problema. Pegou suas chaves. Jogou-as levemente para cima e as pegou no ar, cerrando o punho. Caminhou até a porta e a abriu. Lá fora o outono mostrava sua presença através do vento frio e constante.


Saiu, olhou para trás. Viu a porta de madeira, pintada de branco, com sua maçaneta dourada já gasta. Olhou para a maçaneta e tentou relembrar sentimentos que lhe sobrepujavam a cada vez que a tocava, girando e re-inaugurando seu mundo a dois. Nada... Caminhou para o passeio e olhou para a casa. Tentou reviver como sentimentos lhe inundavam a cada vez que via sua casa ao longe. Mesmo de noite era bela, com seus dois andares e pintura branca. Só o vento frio lhe tocava ao ouvido. Caminhou até a porta e a trancou.


Ganhou a rua e caminhou até o carro. Apertou o botão do alarme e ele respondeu com rapidez, como se já esperasse que seria chamado. Abriu a porta e a mistura de perfumes lhe inundou o olfato. Memórias? Só de dificuldades recentes, nada bom. Sentou dentro de seu carro, sentiu frio. Um frio que vinha de dentro para fora. Fechou o casaco. Ligou o carro. Acendeu o farol.


O barulho do pneu contra o concreto e depois com o asfalto, se juntou ao barulho do vento que perpassava tudo. Tentou recordar como era viver só. Lembrou-se.
Parou o carro na porta de casa e ficou admirando a casa, recordando como era bom deixar a solidão de lado por alguém tão especial.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Goiânia

Tive que ir a Goiânia para uma mesa Redonda no SUECO (www.sueco.com.br), em substituição ao Professor Raphael Aguiar. Falei sobre o tema "Modelo de Atenção Integral a Saúde ". Foi uma oportunidade muito interessante de perceber como a atenção privada a saúde no Brasil avança a passos largos, tanto no aprimoramento do modelo de gestão como numa visão mais integral do paciente.

Explico-me. Por muito tempo o modelo de atenção a saúde vigente era centrado do médico e com uma restrição ao hospital. Hoje, percebe-se a necessidade de uma equipe multidisciplinar e com um cuidado que não se restrinja a demanda espontânea, mas sim, que estimule a saúde, daí o termo promoção da saúde.

O vôo atrasou e a chegada prevista para as 20h, só aconteceu as 23h. Foi bom, porque neste intervalo, acabei a leitura de um livro excelente, chamado do professor Michael Porter, de estratégia competitiva em saúde. Nele o autor estabelece a necessidade do sistema de saúde privado e público trabalhar de forma harmoniosa, com as competições acontecendo de forma a haver uma soma maior do que zero, dos valores a serem adquiridos. Soma zero é entendida como a falha total de ganho dos jogadores.






Aliás, existe algo que é realmente muito interessante, que é a teoria dos jogos. Mas isso pode ficar para outro post.

Fato é que estava atrasado com meus procedimentos. Minha palestra era as 10h30, e minha apresentação ainda precisava de retoques. Tinha muito trabalho a fazer. Então o jeito foi varar a madrugada.

From Drop Box
De forma obsessiva fui criando cada slide. As 2hoo da manhã, fiquei preocupado, porque achei que nunca iria acabar. As 4h00 da manhã, passei de canal e descobri um filme, sobre Golf... Entre uma risada, um slide e uma risada, fui dormir as 5h30.


Acordei as 9h00, aceso e pronto. Fui tomar café. O hotel por sinal tinha muita poeira, carpete e uma vizinhança barulhenta. No café da manhã, fui positivamente saudado com um piano de cauda e música de boa qualidade ao vivo. Posso dizer, com certeza, que o pão de queijo goiano é o segundo melhor do mundo, ficando atrás apenas do mineiro, o que é um feito admirável. A música tocada era do Roberto Carlos, e me senti tocado ao lembrar de minha tão querida família.


Dada a palestra, segui para o Aeroporto. Os velhos 737 da Varig foram reutilizados pela Gol, na junção das duas empresas. Cheiro de mofo, noite mal dormida, café no aeroporto, estômago vazio... uma enxaqueca das bravas... um paracetamol, deve resolver.

Cheguei em BH pedindo para ter uma morte misericordiosa e rápida...uma neosaldina no aeroporto e nada de melhorar...
Dirigir se tornou uma operação de risco.
Cheguei em casa passando um mal daqueles... só queria que aquilo tudo acabasse, e acabou!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tudo parece como era...

Tudo parece como era antes. As coisas acontecem em ciclos, com detalhes modificados.

Meu sobrinho Danilo esteve aqui comigo, para pegar o computador que meu irmão, minha esposa e eu demos para ele. Foi um momento importante de refletir e entender como isso acontece. 

Lembrei dos meus momentos, lá pelos meados da década de 90, quando ficava acordado até tarde jogando os jogos mais variados. Tudo isso na casa do Beto e Edite, manos e anfitriães. Naquela época, com meus 18 anos, jogávamos até as 5h da manhã.

Bem, minha esposa e eu fomos dormir por volta das 4h e Danilo ficou, acordando indo dormir sabe-se lá que horas...

Um ciclo...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Um dia de história em quadrinho para um repórter

Nunca, jamais, em hipótese nenhuma, chamem os seguranças do Bush para proteger vocês.




De qualquer maneira, depois desse show de agilidade do querido presidente americano, vejamos o outro lado:


Vejam a cara do cidadão sentado do lado direito da foto (de óculos e paletó). Observem a cara dele e respondam:
O que ele pensou?
a- Que mira horrorosa, por causa desses daí que o Iraque perdeu a guerra.
b- Que sapato horroroso
c- Se ele fosse uma centopéia, a chance de acertar aumentaria
d- Olho no laaaaaaaaaaanceeeeeeeee
e- Isso é o que eu chamo de botar os pés nos Estados Unidos


Observem, ainda, que depois de tudo isso, ele apenas olha para trás, como se aquilo acontecesse todo dia... (no vídeo do lado esquerdo)