terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Goiânia

Tive que ir a Goiânia para uma mesa Redonda no SUECO (www.sueco.com.br), em substituição ao Professor Raphael Aguiar. Falei sobre o tema "Modelo de Atenção Integral a Saúde ". Foi uma oportunidade muito interessante de perceber como a atenção privada a saúde no Brasil avança a passos largos, tanto no aprimoramento do modelo de gestão como numa visão mais integral do paciente.

Explico-me. Por muito tempo o modelo de atenção a saúde vigente era centrado do médico e com uma restrição ao hospital. Hoje, percebe-se a necessidade de uma equipe multidisciplinar e com um cuidado que não se restrinja a demanda espontânea, mas sim, que estimule a saúde, daí o termo promoção da saúde.

O vôo atrasou e a chegada prevista para as 20h, só aconteceu as 23h. Foi bom, porque neste intervalo, acabei a leitura de um livro excelente, chamado do professor Michael Porter, de estratégia competitiva em saúde. Nele o autor estabelece a necessidade do sistema de saúde privado e público trabalhar de forma harmoniosa, com as competições acontecendo de forma a haver uma soma maior do que zero, dos valores a serem adquiridos. Soma zero é entendida como a falha total de ganho dos jogadores.






Aliás, existe algo que é realmente muito interessante, que é a teoria dos jogos. Mas isso pode ficar para outro post.

Fato é que estava atrasado com meus procedimentos. Minha palestra era as 10h30, e minha apresentação ainda precisava de retoques. Tinha muito trabalho a fazer. Então o jeito foi varar a madrugada.

From Drop Box
De forma obsessiva fui criando cada slide. As 2hoo da manhã, fiquei preocupado, porque achei que nunca iria acabar. As 4h00 da manhã, passei de canal e descobri um filme, sobre Golf... Entre uma risada, um slide e uma risada, fui dormir as 5h30.


Acordei as 9h00, aceso e pronto. Fui tomar café. O hotel por sinal tinha muita poeira, carpete e uma vizinhança barulhenta. No café da manhã, fui positivamente saudado com um piano de cauda e música de boa qualidade ao vivo. Posso dizer, com certeza, que o pão de queijo goiano é o segundo melhor do mundo, ficando atrás apenas do mineiro, o que é um feito admirável. A música tocada era do Roberto Carlos, e me senti tocado ao lembrar de minha tão querida família.


Dada a palestra, segui para o Aeroporto. Os velhos 737 da Varig foram reutilizados pela Gol, na junção das duas empresas. Cheiro de mofo, noite mal dormida, café no aeroporto, estômago vazio... uma enxaqueca das bravas... um paracetamol, deve resolver.

Cheguei em BH pedindo para ter uma morte misericordiosa e rápida...uma neosaldina no aeroporto e nada de melhorar...
Dirigir se tornou uma operação de risco.
Cheguei em casa passando um mal daqueles... só queria que aquilo tudo acabasse, e acabou!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tudo parece como era...

Tudo parece como era antes. As coisas acontecem em ciclos, com detalhes modificados.

Meu sobrinho Danilo esteve aqui comigo, para pegar o computador que meu irmão, minha esposa e eu demos para ele. Foi um momento importante de refletir e entender como isso acontece. 

Lembrei dos meus momentos, lá pelos meados da década de 90, quando ficava acordado até tarde jogando os jogos mais variados. Tudo isso na casa do Beto e Edite, manos e anfitriães. Naquela época, com meus 18 anos, jogávamos até as 5h da manhã.

Bem, minha esposa e eu fomos dormir por volta das 4h e Danilo ficou, acordando indo dormir sabe-se lá que horas...

Um ciclo...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Um dia de história em quadrinho para um repórter

Nunca, jamais, em hipótese nenhuma, chamem os seguranças do Bush para proteger vocês.




De qualquer maneira, depois desse show de agilidade do querido presidente americano, vejamos o outro lado:


Vejam a cara do cidadão sentado do lado direito da foto (de óculos e paletó). Observem a cara dele e respondam:
O que ele pensou?
a- Que mira horrorosa, por causa desses daí que o Iraque perdeu a guerra.
b- Que sapato horroroso
c- Se ele fosse uma centopéia, a chance de acertar aumentaria
d- Olho no laaaaaaaaaaanceeeeeeeee
e- Isso é o que eu chamo de botar os pés nos Estados Unidos


Observem, ainda, que depois de tudo isso, ele apenas olha para trás, como se aquilo acontecesse todo dia... (no vídeo do lado esquerdo)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um diálogo a três

_Então é isso?
_Acho que sim... quer dizer...
_Talvez seja melhor, não é?
_É... Melhor...
_O que foi?
_O que foi o que?
_Você parecia querer dizer algo...
_É... não... Impressão sua...
_Sempre foi assim, não?
_O que?
_Nós... Tão cheio de reticências...
_Eu acho que sim...
_Pois é...
_Talvez pudesse ter sido diferente...
_Hm...
_Um recomeço?
_Não sei...
_Entendo...
_Talvez seja melhor...
_Lindo aqui.
_Sempre muito agradável, quando é com você.



Sorriu e repousou seu ombro no dele. Ficaram os dois ali, sentados, de olhos abertos, para não perder o pôr-do-Sol mais lindo da suas vidas, ao mesmo tempo em que deixavam passar um grande amor, por pura reticências...




Crédito da foto: Sheila Cristina

domingo, 23 de novembro de 2008

Mineiridades, 3

Achei tão interessante um artigo chamado mineiridades, que tomei a liberdade de publicá-lo no blog.

Boa leitura.

MINEIRIDADES
História de fios entrelaçados
Herdada de colonizadores portugueses, a tecelagem é objeto de paixão de mulheres do Campo das Vertentes, região que se tornou referência da arte feita em teares
Gustavo Werneck, enviado especial

Resende Costa – Os fios da vida e do trabalho se entrelaçam, passam pelas tramas da arte, ganham a forma da beleza e o arremate do mais puro jeito mineiro. Com paciência e muita energia, as tecelãs de Resende Costa, na Região do Campo das Vertentes, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, têm nas mãos um ofício que é o cartão de visita da cidade. Há mais de 200 anos, com seus teares de madeira, objetos de sustento e paixão, elas transformam as linhas em colchas, tapetes, almofadas, caminhos-de-mesa e outros produtos coloridos, que encantam pela composição das cores e maciez da textura. 

A história da tecelagem em Resende Costa, que se tornou referência no setor e tem hoje mais de 70 lojas, começou com os colonizadores portugueses. Mas, com as restrições impostas pela Coroa às manufaturas e à industrialização na colônia, o setor só se desenvolveu mesmo depois da chegada de dom João VI ao Brasil, em 1808. Com a presença da família real e mais liberdade econômica, surgiram fabriquetas de tecidos, que exportavam para outras localidades da Capitania de Minas e para o Rio de Janeiro, que se tornara capital da colônia em 1763. 

Segundo os pesquisadores, a expansão foi tamanha que Resende Costa produziu linho, que era mandado para Buenos Aires, na Argentina. Além das peças mais finas, houve um crescimento de tecidos rústicos de algodão, usados para fazer roupas de escravos e sacaria. Basta circular pela cidade para ver que um universo de cores e padronagens diferenciadas está estampado em cada porta e se mantém cheio de tradição. 

O melhor, no entanto, é conhecer o outro lado desse quadro. Ver, bem de perto, o trabalho dos artesãos – é bom lembrar que há muitos homens e jovens na atividade. Num quartinho dos fundos da casa de Maria Dalva Mendonça Machado, de 72 anos, a labuta começa cedo, em clima de alta produção nos quatro teares. Natural da cidade, casada com o pedreiro aposentado Francisco, com três filhas e quatro netos, dona Dalva, como é mais conhecida, mostra que o tempo e a experiência serviram para lapidar ainda mais a sua técnica. 

Para tudo dar na pequena oficina, foram fundamentais os ensinamentos passados pela mãe, já falecida, que aprendeu com a avó – na cidade, as novas gerações, a exemplo das antigas, vão puxando o fio do conhecimento, fazendo algumas adaptações e recriando a tecelagem no cotidiano. Para manter a aprendizagem em dia, a jovem Ana Paula Ribeiro, de 23, ouve com atenção as dicas da patroa e mestra. O mesmo fizeram as filhas de dona Dalva, Vânia, Silvânia e Giovânia, que sabem todos os segredos dessa trama, que, pelo talento e dedicação demonstrados, vai parecendo um eterno novelo sem fim. 

VIDA DE TRABALHO Despachada, dona Dalva conta que aprendeu a manejar o tear ainda adolescente, quando serviço era o que não faltava na casa paterna. “A nossa vida era só trabalhar. Já chegava da escola e tinha uma roupa para lavar, um balaio de biscoito esperando para a gente vender… Mas trabalho não mata ninguém”, conforta-se a tecelã, que tem uma equipe de quatro jovens sob o seu comando. Numa manhã, das 6h às 10h, cada uma das mulheres pode fazer, com o vaivém das mãos e dos pés, no tear, até 30 tapetinhos. 

Quem vê os corpos em movimentos vigorosos, mas delicados, pode imaginar que, depois de tanto esforço, o artesão estará “moído” no fim do dia. Dona Dalva garante que ninguém reclama de braços ou pernas doendo. “Qualquer um aprende rápido, não há dificuldade, o trabalho vai ficando automático. A gente se acostuma com a prática diária e o negócio acaba virando um divertimento, uma terapia”, explica a artesã, que tem uma loja no Centro de Resende Costa. Portanto, para os iniciantes, não é preciso muita força para mover a engenhoca, “e sim muito jeito”. 

De manhã bem cedo, para começar, dona Dalva separa os novelos de retalhos, depois faz o chamado repasse, que é enfiar os fios de linha no pente (as barras, de madeira, horizontais do tear), e nos liços, que são os arames verticais. Para ela, felicidade, de verdade, é escutar um elogio: “Gosto muito quando dizem que as cores das colchas estão bonitas, vivas, bem escolhidas e que a peça é de qualidade”, revela com um sorriso aberto e franco. 

Depois de uma ligeira parada para o café com biscoito de polvilho, na mesa da cozinha, dona Dalva retorna aos seus afazeres. Sempre de olho em tudo ao seu redor, confere o tear, orienta o trabalho das funcionárias e se volta para o seu mundo, que é tecido com os laços da criatividade e da imaginação. 


RESENDE COSTA
 
Região do Campo das Vertentes 

População: 10,5 mil habitantes 
Fundação: meados do século 18 
Distância de Belo Horizonte: 180 quilômetros 
Distância de São João del-Rei: 36 quilômetros 



1- Até se transformarem em colchas, toalhas e outros produtos, as linhas e novelos de retalhos passam por um longo caminho. A primeira providência da tecelã é fazer a combinação das cores para que o trabalho fique bonito e de bom gosto. A partir daí, ela enrola os fios dos retalhos e dá início ao processo 



2 - Diante do tear, dona Dalva faz o repasse das linhas. Nesta etapa, os fios entram nas “casinhas” dos liços – as peças verticais, com arames, do equipamento – e do pente, o travessão horizontal, de madeira. Feito isso, está tudo pronto para o serviço começar 



3 - Está na hora de tecer. Com movimentos delicados, mas vigorosos, das mãos e dos pés, dona Dalva põe o tear em funcionamento. A cada vaivém do pente, ela passa o novelo de retalhos sob as linhas, formando as tramas 


4 - Depois de tanto trabalho, dá gosto ver a colcha sobre a cama de dona Dalva e as outras peças, já encomendadas, que se avolumam num quartinho. Num trabalho de quatro horas, ela garante que é possível tecer até 30 pequenos tapetes
Como são as coisas, depois de um ano com o celular, descubro que ele tira fotos panorâmicas. Clique na foto para visualizá-la.

From Minha vida é uma história em quadrinhos

Esta foto foi tirada da Faculdade de Medicina numa tarde-noite de terça... a frente (centro) vemos o hospital João XXIII.

Hoje é meu aniversário, parabéns para aqueles que fazem minha vida ser excelente e valer a pena o despertar...

Valeu!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mineiridades 2

Em BH, mais um dia de trânsito lento. No ônibus o cidadão da foto começou a tocar seu violão. Eu comecei a escrever. A comadre ligou para sua comadre. Uma pessoa desceu antes de seu ponto. Quatro pessoas olharam o relógio. O cobrador coçou o cabelo. O assunto de dois conhecidos acabou.

E todos chegaram atrasados...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Branco ou casual



O calor em Belo Horizonte está Com "C" maiúsculo. Agora as 16h30 faz 35 graus Celsius, o que é incomum para esta época do ano. Um Clima quente para o Belo Horizontino. A boa noticia é que eu estou indo para casa.

Minha mãe sempre quis que eu trabalhasse de branco, diz ela que fica muito bonito. Certo é que faz parte do imaginário popular que o médico vista roupas desta cor para ir trabalhar.

Eu, por outro lado detestava vestir-me de branco. Sujava muito e as roupas são bem mais caras. Um sapato branco pode chegar a custar o dobro de um comum. Eu sempre gostei de uma roupa social... Isso sim vale a pena, poucas pessoas percebem que uma roupa social sai bem mais barato do que uma calca jeans e uma t-shirt. Além disso roupas sociais são práticas, afinal tem botões e bolsos.

Verdade é que, independente de vestir de branco ou não, na Medicina social ou Epidemiologia, posso voltar para casa mais cedo e, ainda, trabalhar em casa. Isso é o melhor de tudo.

Nada dos velhos paradigmas de trabalhar até tarde, sempre com a mesma rotina, cada semana é totalmente diferente da outra. Os desafios são sempre distintos e o aprendizado imenso. Ainda bem, porque nesse calor trabalhar 12 horas em um mesmo lugar, ninguém merece.

Para quem curtiu a série Matrix e adora tirar um sarro do Windows, aqui vai uma dica:



E se nossa vida fosse organizada pelos nossos "profiles" de internet, e não o contrário...



É um vídeo muito bem feito e pequeno. Vale a pena dar uma olhada!

Fotos de Belo Horizonte


Caríssimos,

numa iniciativa do Colégio Loyola alunos foram para as ruas e tiraram algumas fotos de BH. Como este blog se destina, entre outras coisas, a mostrar BH através dos quadrinhos diários de nossas vidas, aqui vai essa sugestão.

http://www.dzai.com.br/gecoi/foto/galeria?fot_id=11197

Como alunos do Segundo ano, várias fotos são muitos singelas, mas o que é mais singelo do que a nossa BH?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Procura no Google



Na modernidade nada é mais prático do que a internet. Lembro-me que nos primórdios do seu uso, um cidadão americano provou que não precisaria sair de casa, era só pedir pela internet. Isso foi lá em meados de 2002...

Hoje seu uso está bem mais difundido e apresenta opções ainda mais chamativas. De pizza a aparelhos de informática, é possível pedir e receber em casa. Do Brasil ou da Europa, podemos receber informações e conversar em tempo real.

Uma dessas histórias aconteceu ontem mesmo.

Domingo a noite e, como de usual, nada na televisão. Um cheiro de bolo invade o apartamento onde moro e a vontade de comer um igual aparece. Proposta irrecusável da esposa: "Vamos fazer um?". Irrecusável!

Ela tem um caderno de receitas e procura ali, olha dali, encontramos uma receita de bolo de fubá. Infelizmente tínhamos somente três ovos (na geladeira) e a receita pedia quatro. Matematicamente impossível, resolvemos procurar por opções na internet. Encontramos um bolo de fubá com apenas três ovos. Algo que deve ficar claro (eu ate diria, clara) para você leitor é que aqui, não cozinhamos com uma frequência razoável. Deixamos os ovos por algum tempo na geladeira e minha fraca intuição de cozinheiro-amador, dizia-me que eles estariam podres.

Como ensinado por minha mãe, quebrei um ovo e... podre. Quebrei outro e... podre de novo. A receita havia ido para o brejo.

Como todo homem do sexo masculino, sei ser impaciente como ninguém. Peguei um pacote de biscoito recheado e enchi a pança. Que Zidane o bolo...

Como toda mulher do sexo feminino, minha esposa sabe ser perseverante como ninguém. Ficou na cozinha. Quando voltei para a cozinha, para colocar as vasilhas e o resto do inglório lanche, encontrei ela fixamente olhando para a tela do computador.

Bolo de Fubá Sem Ovo
resultado do Google, que ajudou um faminto e exasperado marido.

"Vamos fazer?" "Bora", respondi meio sem-graça...

O bolo é uma delícia. A única coisa que fizemos diferente, idéia dela, foi polvilhar parmesão ralado por cima antes de assar, após termos colocado o bolo na forma. Servidos?

sábado, 8 de novembro de 2008

O frango

Uma sexta-feira, que, para milhares de pessoas, deveria ser esquecida, mas, em se tratando do trânsito de Belo Horizonte, principalmente no Anel Rodoviário, isso é impossível. Um acidente sem vítimas, na manhã de ontem, numa das pistas da perigosa e conturbada via, na altura do Bairro Buritis, na Região Oeste, atrasou a vida de pelo menos 50 mil pessoas, segundo estimativa da BHTrans. Como já ocorreu outras vezes e, se não houver medidas drásticas urgentes, continuará acontecendo, elas ficaram retidas no engarrafamento de 15 quilômetros por mais de cinco horas.

Nenhuma destas pessoas é o frango...
Um caminhão-caçamba, com 22 toneladas de minério de ferro, que trafegava no sentido Rio-Vitória, subiu na mureta de concreto central, depois de atingir a traseira de uma carreta, e se arrastou por vários metros, derrubando três postes de iluminação pública. O tanque de combustível estourou e derramou 300 litros de óleo diesel na pista, que ficou escorregadia e precisou ser interditada por mais de cinco horas. Foram necessários dois caminhões de serragem e ajuda de um trator para espalhar o material sobre o óleo. O asfalto ficou intransitável até mesmo para nossa estrela, o frango.

O frango, na segunda-feira, percebera a diferente movimentação da semana. As pessoas mudaram seu tratamento na casa em que vivia, sua alimentação passou de restos de alimentação para ração tipo B. Muito melhor, embora não lhe agradasse o sabor milho-verde da mesma. Finalmente a vida havia melhorado! Após seus seis primeiros meses de vida, já começara a tomar um corpo, coxas roliças, musculatura bem desenvolvida, peito "sarado"...

Enfim, um frango adulto.

Na quinta-feira o frango, observou mudanças ainda mais bruscas na casa. A princípio aquilo poderia não significar nada. Mas o frango era uma ave experiente (seis meses, ora bolas!). Desde que perdera sua mãe, que o céu a receba bem, havia ficado ligado naqueles objetos cortantes e pontiagudos que os humanos manipulavam.

Toda vez que eles começavam a amolar aquele... negócio, cenas da morte de sua mãe vinham a cabeça e uma revolta... Ela poderia ser uma galinha, mas ainda assim era sua mãe.

O frango então resolveu pensar em alguma solução para seu problema. Na sexta-feira decidiu que iria fugir. Era só esperar o suficiente para que abrissem a porta para trocar a sua água. Dali, do galinheiro, ganharia a liberdade. Dali iria para o mundo.

Na sexta-feira pela manhã, os humanos que cuidavam dele, moradores de um barraco simples a margem do anel rodoviário, abriram a porta do galinheiro para trocar a água e servir ração. Oportunidade nesta vida não vem em pacotes com "pague dois e leve três". Aproveitou-a.

Voando por cima da cabeça do seu algoz, correu. Com o auxílio das batidas de sua asa pulou a cerca do terreno e ganhou a margem da rodovia.

Algumas pessoas poderiam perguntar o por quê do frango cruzar a rodovia: Ele realmente precisava chegar do outro lado.

Por sua sorte o trânsito estava parado e ele conseguiu atravessar com facilidade. Aliás, ao alcançar a segunda pista a liberdade estava quase garantida, mas como vida de frango é sempre difícil, estava lá uma grande poça de óleo. Poça de óleo e pé de frango são duas texturas que se repelem e aí,  escorregar é uma realidade. A ave não conseguiu se equilibrar e, depois de vários escorregões, foi capturada por dois rapazes, que esperavam o trânsito ser liberado, e acabaram garantindo o almoço.






Texto escrito a partir de reportagem do Estado de Minas de Sexta (07-11-2008)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cachorro

As 7h30 o clima estava agradável, por volta dos 20º Celsius, quebrando um pouco a onda de calor que tem incomodado Belo Horizonte nas últimas semanas.

Estava vindo para a Faculdade de Medicina, trabalhar mais um pouco.

Verdade seja dita, os ônibus na minha região não demoram muito e tem sempre algum lugar para sentar.

Neste dia estava sozinho no ponto, pensando na vida, sem muito a acrescentar ao planeta. Vi pelo canto do olho que um cachorro preto, muito bonito, estava atravessando a rua.

[cao_assustado.jpg]

O cachorro quase foi atropelado. Ficou olhando para mim com cara de espanto. No meio da rua seus olhos fixaram-se em mim.

Tenho certeza que dentro de sua mente canina, ficava pensando: “Esse cara não é normal. Obviamente ele acha que fala com os cachorros”

O cachorro acabou de atravessar e ficou ali, no passeio, olhando para trás e para mim. Talvez ele tenha pensado em Freud e Lacan para tentar montar meu perfil psicológico. Possivelmente ele pensou ainda em Selye e sua definição de Stress indefinido.

O cão ia e voltava, pensando se aproximava-se de mim para conversar e sugerir terapias de pequena intervenção, mas grande impacto, mas aí chegou o ônibus e eu tive que ir.

Deixei o cachorro com seus pensamentos avançados e seus problemas de cognitivo superior, embora, na verdade, ele só se perguntava se devia responder o “Bom dia”ou não.


Aqui um link para um site sobre um post muito interessante que achei na internet.

sábado, 25 de outubro de 2008

Minha Belo Horizonte

Ai minha Belo Horizonte,
quanto amor tenho por ti,
pelo seus odores e perfumes,
problemas e soluções
pessoas e humanos,
horizontes e belezas.

Ai minha Belo Horizonte,
que saudade de ti mais nova
da minha infância em suas ruas
das minhas caminhadas sem fim,
rumo ao Estadual Central
rumo a Alfredo Balena
e para bairros distantes...

Ai minha Belo Horizonte,
que orgulho de ti
Hoje, agora e sempre
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