quinta-feira, 25 de junho de 2009

Symbiosis


Sua presença tem raízes no meu coração
mas suas raizes, ao contrario do esperado
não o machucam, protegem, envolvem

Suas raizes envolvem-se em meu coração
Alimentam-se dele
Mas de suas raízes saem folhas
De suas folhas surgem sombras
Protegem o coração
Das intempéries, dos outros, dando conforto


Ela é minha Bios, minha Bia
Eu sou seu Sym
Juntos somos um órgão vivo que vive um do outro
Um para o outro.


Quando nos fundirmos completamente
Te darei outra vida
Nos tornaremos um sistema
Essa vida gozará de duas sombras
Seremos um só Bios.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Você, para Bia

Tão intenso como o Sol em janeiro,
Que aflige do alto aqueles abaixo,
Intenso como só a natureza sabe fazer.

O toque e o cheiro são deliciosamente gentis,
Como o alvorecer no campo de girassóis,
Gentil como só a natureza sabe ser.

Dia seguinte, contudo,
retorno ao normal,
Como a calmaria depois da tempestade,
Calmo como só a natureza sabe ser.

Ao passar um pelo outro um silêncio que tanto diz,
Como a brisa que refresca sem incomodar,
Discreto como só a natureza sabe agir.

Além do silêncio os cheiros se digladiam,
Como fazem os tubarões, previamente ao ato,
Sensuais, como só a natureza sabe ser.

Admirar você,
desejar você,
pensar em você,
é natural,

Como só os homens sabem fazer.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Aniversário da Só

Hoje é aniversário da minha irmã mais velha! Ela cuidou de mim durante muito tempo, na verdade sempre que minha mãe me chicoteava com arame farpado, lá estava ela para jogar sal! Uma família muito carinhosa que resultou nessa pessoa fantástica que lhes escreve.
Não vou falar da idade dela porque, o chato dessas coisas, é que ela é sempre um tanto mais velha (X), sendo que X é constante, para sempre.

Deixo vocês com a foto mais recente dela. Deixo para ela um beijo bem carinhoSó!


domingo, 8 de março de 2009

Bolo com sorvete

Quem me conhece sabe, adoro uma sobremesa que não seja muito doce. Adoro a mistura de sabor, a mistura das temperaturas e dos aromas. Qual sobremesa poderia ser melhor nisso do que o Bolo com Sorvete? Quando o bolo ainda está quente e bola de sorvete toca nele os dois se derretem como dois amantes apaixonados, deixando quem come com a sensação de tesão satisfeito!

Eu me lembro que uma das primeiras vezes que comi esta sobremesa foi na casa do Tio Gerson. Lembro-me, ainda, que experimentei esta delícia várias vezes na casa dele. Íamos para o café e eu comia o bolo com sorvete.

Hoje, por coincidência ou não, comprei uma mistura para bolo de milho. Tirando ele ainda quente do forno, coloquei uma bela bola de sorvete de creme. Na primeira garfada lembrei do tio. Lembranças vieram boas e com gosto de sobremesa.

Comi um pedaço para ele. Estava uma delícia...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Alguém me disse...

Eu gosto de ônibus. Aliás, morar na zona sul tem como facilidade o fato de que os ônibus daqui são vazios, limpos e novos. Ultimamente, contudo, tenho andado de carro. Tem sido mais fácil e rápido pegar o carro e ir até a faculdade, assim como ao sair mais tarde pegá-lo e voltar para casa. Próximo a faculdade existem dois lugares em que costumo deixar o carro. Deixo na rua ou, quando não há vagas, deixo em um estacionamento. Ontem não sei o que me deu, resolvi ir de ônibus.

E, também ontem, choveu horrores em Belo Horizonte. Ventos de até 70km/h atingiram a capital, seguidos de muita chuva, que inundou a região hospitalar. Cerca de 100.000 pessoas ficaram sem luz, devido a queda de árvores.

Lembra dos locais onde costumo deixar o carro? Um deles é este, logo onde está o Fiat Uno:


O outro é este, ali embaixo:

Hoje eu vou de carro, mas algo me diz que não vou encontrar vagas...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Folhas secas


Já eram vinte e duas horas. Pegou o casaco de linho. Haviam comprado juntos. Olhava para o casaco e tentava recordar os sentimentos que uma vez existiram. Olhava para o casaco e se perdia em um vazio existencial e raso. Colocou o casaco e sabia que frio não mais seria um problema. Pegou suas chaves. Jogou-as levemente para cima e as pegou no ar, cerrando o punho. Caminhou até a porta e a abriu. Lá fora o outono mostrava sua presença através do vento frio e constante.


Saiu, olhou para trás. Viu a porta de madeira, pintada de branco, com sua maçaneta dourada já gasta. Olhou para a maçaneta e tentou relembrar sentimentos que lhe sobrepujavam a cada vez que a tocava, girando e re-inaugurando seu mundo a dois. Nada... Caminhou para o passeio e olhou para a casa. Tentou reviver como sentimentos lhe inundavam a cada vez que via sua casa ao longe. Mesmo de noite era bela, com seus dois andares e pintura branca. Só o vento frio lhe tocava ao ouvido. Caminhou até a porta e a trancou.


Ganhou a rua e caminhou até o carro. Apertou o botão do alarme e ele respondeu com rapidez, como se já esperasse que seria chamado. Abriu a porta e a mistura de perfumes lhe inundou o olfato. Memórias? Só de dificuldades recentes, nada bom. Sentou dentro de seu carro, sentiu frio. Um frio que vinha de dentro para fora. Fechou o casaco. Ligou o carro. Acendeu o farol.


O barulho do pneu contra o concreto e depois com o asfalto, se juntou ao barulho do vento que perpassava tudo. Tentou recordar como era viver só. Lembrou-se.
Parou o carro na porta de casa e ficou admirando a casa, recordando como era bom deixar a solidão de lado por alguém tão especial.