| Gustavo Werneck, enviado especial Resende Costa – Os fios da vida e do trabalho se entrelaçam, passam pelas tramas da arte, ganham a forma da beleza e o arremate do mais puro jeito mineiro. Com paciência e muita energia, as tecelãs de Resende Costa, na Região do Campo das Vertentes, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, têm nas mãos um ofício que é o cartão de visita da cidade. Há mais de 200 anos, com seus teares de madeira, objetos de sustento e paixão, elas transformam as linhas em colchas, tapetes, almofadas, caminhos-de-mesa e outros produtos coloridos, que encantam pela composição das cores e maciez da textura. A história da tecelagem em Resende Costa, que se tornou referência no setor e tem hoje mais de 70 lojas, começou com os colonizadores portugueses. Mas, com as restrições impostas pela Coroa às manufaturas e à industrialização na colônia, o setor só se desenvolveu mesmo depois da chegada de dom João VI ao Brasil, em 1808. Com a presença da família real e mais liberdade econômica, surgiram fabriquetas de tecidos, que exportavam para outras localidades da Capitania de Minas e para o Rio de Janeiro, que se tornara capital da colônia em 1763. Segundo os pesquisadores, a expansão foi tamanha que Resende Costa produziu linho, que era mandado para Buenos Aires, na Argentina. Além das peças mais finas, houve um crescimento de tecidos rústicos de algodão, usados para fazer roupas de escravos e sacaria. Basta circular pela cidade para ver que um universo de cores e padronagens diferenciadas está estampado em cada porta e se mantém cheio de tradição. O melhor, no entanto, é conhecer o outro lado desse quadro. Ver, bem de perto, o trabalho dos artesãos – é bom lembrar que há muitos homens e jovens na atividade. Num quartinho dos fundos da casa de Maria Dalva Mendonça Machado, de 72 anos, a labuta começa cedo, em clima de alta produção nos quatro teares. Natural da cidade, casada com o pedreiro aposentado Francisco, com três filhas e quatro netos, dona Dalva, como é mais conhecida, mostra que o tempo e a experiência serviram para lapidar ainda mais a sua técnica. Para tudo dar na pequena oficina, foram fundamentais os ensinamentos passados pela mãe, já falecida, que aprendeu com a avó – na cidade, as novas gerações, a exemplo das antigas, vão puxando o fio do conhecimento, fazendo algumas adaptações e recriando a tecelagem no cotidiano. Para manter a aprendizagem em dia, a jovem Ana Paula Ribeiro, de 23, ouve com atenção as dicas da patroa e mestra. O mesmo fizeram as filhas de dona Dalva, Vânia, Silvânia e Giovânia, que sabem todos os segredos dessa trama, que, pelo talento e dedicação demonstrados, vai parecendo um eterno novelo sem fim. VIDA DE TRABALHO Despachada, dona Dalva conta que aprendeu a manejar o tear ainda adolescente, quando serviço era o que não faltava na casa paterna. “A nossa vida era só trabalhar. Já chegava da escola e tinha uma roupa para lavar, um balaio de biscoito esperando para a gente vender… Mas trabalho não mata ninguém”, conforta-se a tecelã, que tem uma equipe de quatro jovens sob o seu comando. Numa manhã, das 6h às 10h, cada uma das mulheres pode fazer, com o vaivém das mãos e dos pés, no tear, até 30 tapetinhos. Quem vê os corpos em movimentos vigorosos, mas delicados, pode imaginar que, depois de tanto esforço, o artesão estará “moído” no fim do dia. Dona Dalva garante que ninguém reclama de braços ou pernas doendo. “Qualquer um aprende rápido, não há dificuldade, o trabalho vai ficando automático. A gente se acostuma com a prática diária e o negócio acaba virando um divertimento, uma terapia”, explica a artesã, que tem uma loja no Centro de Resende Costa. Portanto, para os iniciantes, não é preciso muita força para mover a engenhoca, “e sim muito jeito”. De manhã bem cedo, para começar, dona Dalva separa os novelos de retalhos, depois faz o chamado repasse, que é enfiar os fios de linha no pente (as barras, de madeira, horizontais do tear), e nos liços, que são os arames verticais. Para ela, felicidade, de verdade, é escutar um elogio: “Gosto muito quando dizem que as cores das colchas estão bonitas, vivas, bem escolhidas e que a peça é de qualidade”, revela com um sorriso aberto e franco. Depois de uma ligeira parada para o café com biscoito de polvilho, na mesa da cozinha, dona Dalva retorna aos seus afazeres. Sempre de olho em tudo ao seu redor, confere o tear, orienta o trabalho das funcionárias e se volta para o seu mundo, que é tecido com os laços da criatividade e da imaginação. RESENDE COSTA Região do Campo das Vertentes População: 10,5 mil habitantes Fundação: meados do século 18 Distância de Belo Horizonte: 180 quilômetros Distância de São João del-Rei: 36 quilômetros 1- Até se transformarem em colchas, toalhas e outros produtos, as linhas e novelos de retalhos passam por um longo caminho. A primeira providência da tecelã é fazer a combinação das cores para que o trabalho fique bonito e de bom gosto. A partir daí, ela enrola os fios dos retalhos e dá início ao processo 2 - Diante do tear, dona Dalva faz o repasse das linhas. Nesta etapa, os fios entram nas “casinhas” dos liços – as peças verticais, com arames, do equipamento – e do pente, o travessão horizontal, de madeira. Feito isso, está tudo pronto para o serviço começar 3 - Está na hora de tecer. Com movimentos delicados, mas vigorosos, das mãos e dos pés, dona Dalva põe o tear em funcionamento. A cada vaivém do pente, ela passa o novelo de retalhos sob as linhas, formando as tramas 4 - Depois de tanto trabalho, dá gosto ver a colcha sobre a cama de dona Dalva e as outras peças, já encomendadas, que se avolumam num quartinho. Num trabalho de quatro horas, ela garante que é possível tecer até 30 pequenos tapetes |
domingo, 23 de novembro de 2008
Mineiridades, 3
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| From Minha vida é uma história em quadrinhos |
Esta foto foi tirada da Faculdade de Medicina numa tarde-noite de terça... a frente (centro) vemos o hospital João XXIII.
Hoje é meu aniversário, parabéns para aqueles que fazem minha vida ser excelente e valer a pena o despertar...
Valeu!!
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Mineiridades 2
Em BH, mais um dia de trânsito lento. No ônibus o cidadão da foto começou a tocar seu violão. Eu comecei a escrever. A comadre ligou para sua comadre. Uma pessoa desceu antes de seu ponto. Quatro pessoas olharam o relógio. O cobrador coçou o cabelo. O assunto de dois conhecidos acabou. terça-feira, 18 de novembro de 2008
Branco ou casual
O calor em Belo Horizonte está Com "C" maiúsculo. Agora as 16h30 faz 35 graus Celsius, o que é incomum para esta época do ano. Um Clima quente para o Belo Horizontino. A boa noticia é que eu estou indo para casa.
Minha mãe sempre quis que eu trabalhasse de branco, diz ela que fica muito bonito. Certo é que faz parte do imaginário popular que o médico vista roupas desta cor para ir trabalhar.
Eu, por outro lado detestava vestir-me de branco. Sujava muito e as roupas são bem mais caras. Um sapato branco pode chegar a custar o dobro de um comum. Eu sempre gostei de uma roupa social... Isso sim vale a pena, poucas pessoas percebem que uma roupa social sai bem mais barato do que uma calca jeans e uma t-shirt. Além disso roupas sociais são práticas, afinal tem botões e bolsos.
Verdade é que, independente de vestir de branco ou não, na Medicina social ou Epidemiologia, posso voltar para casa mais cedo e, ainda, trabalhar em casa. Isso é o melhor de tudo.
Nada dos velhos paradigmas de trabalhar até tarde, sempre com a mesma rotina, cada semana é totalmente diferente da outra. Os desafios são sempre distintos e o aprendizado imenso. Ainda bem, porque nesse calor trabalhar 12 horas em um mesmo lugar, ninguém merece.
Fotos de Belo Horizonte
Caríssimos,
numa iniciativa do Colégio Loyola alunos foram para as ruas e tiraram algumas fotos de BH. Como este blog se destina, entre outras coisas, a mostrar BH através dos quadrinhos diários de nossas vidas, aqui vai essa sugestão.
http://www.dzai.com.br/gecoi/foto/galeria?fot_id=11197
Como alunos do Segundo ano, várias fotos são muitos singelas, mas o que é mais singelo do que a nossa BH?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Procura no Google
Na modernidade nada é mais prático do que a internet. Lembro-me que nos primórdios do seu uso, um cidadão americano provou que não precisaria sair de casa, era só pedir pela internet. Isso foi lá em meados de 2002...
Hoje seu uso está bem mais difundido e apresenta opções ainda mais chamativas. De pizza a aparelhos de informática, é possível pedir e receber em casa. Do Brasil ou da Europa, podemos receber informações e conversar em tempo real.
Uma dessas histórias aconteceu ontem mesmo.
Domingo a noite e, como de usual, nada na televisão. Um cheiro de bolo invade o apartamento onde moro e a vontade de comer um igual aparece. Proposta irrecusável da esposa: "Vamos fazer um?". Irrecusável!
Ela tem um caderno de receitas e procura ali, olha dali, encontramos uma receita de bolo de fubá. Infelizmente tínhamos somente três ovos (na geladeira) e a receita pedia quatro. Matematicamente impossível, resolvemos procurar por opções na internet. Encontramos um bolo de fubá com apenas três ovos. Algo que deve ficar claro (eu ate diria, clara) para você leitor é que aqui, não cozinhamos com uma frequência razoável. Deixamos os ovos por algum tempo na geladeira e minha fraca intuição de cozinheiro-amador, dizia-me que eles estariam podres.
Como ensinado por minha mãe, quebrei um ovo e... podre. Quebrei outro e... podre de novo. A receita havia ido para o brejo.
Como todo homem do sexo masculino, sei ser impaciente como ninguém. Peguei um pacote de biscoito recheado e enchi a pança. Que Zidane o bolo...

Como toda mulher do sexo feminino, minha esposa sabe ser perseverante como ninguém. Ficou na cozinha. Quando voltei para a cozinha, para colocar as vasilhas e o resto do inglório lanche, encontrei ela fixamente olhando para a tela do computador.

Bolo de Fubá Sem Ovo resultado do Google, que ajudou um faminto e exasperado marido.
"Vamos fazer?" "Bora", respondi meio sem-graça...
O bolo é uma delícia. A única coisa que fizemos diferente, idéia dela, foi polvilhar parmesão ralado por cima antes de assar, após termos colocado o bolo na forma. Servidos?
sábado, 8 de novembro de 2008
O frango
| Nenhuma destas pessoas é o frango... |
O frango, na segunda-feira, percebera a diferente movimentação da semana. As pessoas mudaram seu tratamento na casa em que vivia, sua alimentação passou de restos de alimentação para ração tipo B. Muito melhor, embora não lhe agradasse o sabor milho-verde da mesma. Finalmente a vida havia melhorado! Após seus seis primeiros meses de vida, já começara a tomar um corpo, coxas roliças, musculatura bem desenvolvida, peito "sarado"...
Enfim, um frango adulto.
Na quinta-feira o frango, observou mudanças ainda mais bruscas na casa. A princípio aquilo poderia não significar nada. Mas o frango era uma ave experiente (seis meses, ora bolas!). Desde que perdera sua mãe, que o céu a receba bem, havia ficado ligado naqueles objetos cortantes e pontiagudos que os humanos manipulavam.
Toda vez que eles começavam a amolar aquele... negócio, cenas da morte de sua mãe vinham a cabeça e uma revolta... Ela poderia ser uma galinha, mas ainda assim era sua mãe.
O frango então resolveu pensar em alguma solução para seu problema. Na sexta-feira decidiu que iria fugir. Era só esperar o suficiente para que abrissem a porta para trocar a sua água. Dali, do galinheiro, ganharia a liberdade. Dali iria para o mundo.
Na sexta-feira pela manhã, os humanos que cuidavam dele, moradores de um barraco simples a margem do anel rodoviário, abriram a porta do galinheiro para trocar a água e servir ração. Oportunidade nesta vida não vem em pacotes com "pague dois e leve três". Aproveitou-a.
Voando por cima da cabeça do seu algoz, correu. Com o auxílio das batidas de sua asa pulou a cerca do terreno e ganhou a margem da rodovia.
Algumas pessoas poderiam perguntar o por quê do frango cruzar a rodovia: Ele realmente precisava chegar do outro lado.
Por sua sorte o trânsito estava parado e ele conseguiu atravessar com facilidade. Aliás, ao alcançar a segunda pista a liberdade estava quase garantida, mas como vida de frango é sempre difícil, estava lá uma grande poça de óleo. Poça de óleo e pé de frango são duas texturas que se repelem e aí, escorregar é uma realidade. A ave não conseguiu se equilibrar e, depois de vários escorregões, foi capturada por dois rapazes, que esperavam o trânsito ser liberado, e acabaram garantindo o almoço.
Texto escrito a partir de reportagem do Estado de Minas de Sexta (07-11-2008)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Cachorro
As 7h30 o clima estava agradável, por volta dos 20º Celsius, quebrando um pouco a onda de calor que tem incomodado Belo Horizonte nas últimas semanas.
Estava vindo para a Faculdade de Medicina, trabalhar mais um pouco.
Verdade seja dita, os ônibus na minha região não demoram muito e tem sempre algum lugar para sentar.
Neste dia estava sozinho no ponto, pensando na vida, sem muito a acrescentar ao planeta. Vi pelo canto do olho que um cachorro preto, muito bonito, estava atravessando a rua.
![[cao_assustado.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_ptSpetzy-uw/SLdc72KGhbI/AAAAAAAAAIc/j9f7ajU0eN0/s1600/cao_assustado.jpg)
O cachorro quase foi atropelado. Ficou olhando para mim com cara de espanto. No meio da rua seus olhos fixaram-se em mim.
Tenho certeza que dentro de sua mente canina, ficava pensando: “Esse cara não é normal. Obviamente ele acha que fala com os cachorros”
O cachorro acabou de atravessar e ficou ali, no passeio, olhando para trás e para mim. Talvez ele tenha pensado em Freud e Lacan para tentar montar meu perfil psicológico. Possivelmente ele pensou ainda em Selye e sua definição de Stress indefinido.
O cão ia e voltava, pensando se aproximava-se de mim para conversar e sugerir terapias de pequena intervenção, mas grande impacto, mas aí chegou o ônibus e eu tive que ir.
Aqui um link para um site sobre um post muito interessante que achei na internet.
