| Nenhuma destas pessoas é o frango... |
O frango, na segunda-feira, percebera a diferente movimentação da semana. As pessoas mudaram seu tratamento na casa em que vivia, sua alimentação passou de restos de alimentação para ração tipo B. Muito melhor, embora não lhe agradasse o sabor milho-verde da mesma. Finalmente a vida havia melhorado! Após seus seis primeiros meses de vida, já começara a tomar um corpo, coxas roliças, musculatura bem desenvolvida, peito "sarado"...
Enfim, um frango adulto.
Na quinta-feira o frango, observou mudanças ainda mais bruscas na casa. A princípio aquilo poderia não significar nada. Mas o frango era uma ave experiente (seis meses, ora bolas!). Desde que perdera sua mãe, que o céu a receba bem, havia ficado ligado naqueles objetos cortantes e pontiagudos que os humanos manipulavam.
Toda vez que eles começavam a amolar aquele... negócio, cenas da morte de sua mãe vinham a cabeça e uma revolta... Ela poderia ser uma galinha, mas ainda assim era sua mãe.
O frango então resolveu pensar em alguma solução para seu problema. Na sexta-feira decidiu que iria fugir. Era só esperar o suficiente para que abrissem a porta para trocar a sua água. Dali, do galinheiro, ganharia a liberdade. Dali iria para o mundo.
Na sexta-feira pela manhã, os humanos que cuidavam dele, moradores de um barraco simples a margem do anel rodoviário, abriram a porta do galinheiro para trocar a água e servir ração. Oportunidade nesta vida não vem em pacotes com "pague dois e leve três". Aproveitou-a.
Voando por cima da cabeça do seu algoz, correu. Com o auxílio das batidas de sua asa pulou a cerca do terreno e ganhou a margem da rodovia.
Algumas pessoas poderiam perguntar o por quê do frango cruzar a rodovia: Ele realmente precisava chegar do outro lado.
Por sua sorte o trânsito estava parado e ele conseguiu atravessar com facilidade. Aliás, ao alcançar a segunda pista a liberdade estava quase garantida, mas como vida de frango é sempre difícil, estava lá uma grande poça de óleo. Poça de óleo e pé de frango são duas texturas que se repelem e aí, escorregar é uma realidade. A ave não conseguiu se equilibrar e, depois de vários escorregões, foi capturada por dois rapazes, que esperavam o trânsito ser liberado, e acabaram garantindo o almoço.
Texto escrito a partir de reportagem do Estado de Minas de Sexta (07-11-2008)
Ô dó!
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